terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Narrador (quanto à participação)

Geralmente, é HETERODIEGÉTICO (surge na
terceira pessoa e não participa na acção)
Porem, por vezes, assume o ponto de vista de
algumas personagens (assumindo a primeira
pessoa do singular e até do plural)

HOMODIEGÉTICO
Isso acontece porque o narrador assume o
pensamento de algumas personagens


Focalização Omnisciente

Geralmente, o narrador assume uma
focalização OMNISCIENTE.
Tem uma perspectiva transcendente em
relação às personagens e move-se à
vontade no tempo, saltando facilmente
entre passado, presente e futuro

Ex.
"Mas em Lisboa dirá o guarda-livros a el-rei, Saiba vossa
majestade que na inauguração do convento de Mafra se
gastaram, números redondos, duzentos mil cruzados, e el-rei
respondeu, Põe na conta, disse-o porque ainda estamos no
princípio da obra, um dia virá em que quereremos saber, Afinal,
quanto terá custado aquilo, e ninguém dará satisfação dos
dinheiros gastos, nem facturas, nem recibos, nem boletins de
registo de importação, sem falar de mortes e sacrifícios, que
esses são baratos. "

Focalização interna

Outras vezes, o narrador assume
momentaneamente a perspectiva das personagens
que vivem a acção, conferindo mais vivacidade e
verosimilhança à narrativa.
Ex.
"Grita o povinho furiosos impropérios aos condenados, guincham as
mulheres debruçadas dos peitoris, alanzoam os frades, a procissão é uma serpente enorme que não cabe direita no Rossio e por isso se vai curvando e recurvando como se determinasse chegar a toda a parte ou oferecer o espectáculo edificante a toda a cidade, aquele que ali vai é Simeão de Oliveira e Sousa, sem mester nem benefício, mas que do Santo Ofício declarava ser qualificador, e sendo secular dizia missa, confessava e pregava, e ao mesmo, tempo que isto fazia proclamava ser herege e judeu, raro se viu confusão assim, (...) por toda a vida, e esta sou eu, Sebastiana
Maria de Jesus, um quarto de cristã-nova, que tenho visões e revelações, mas disseram-me no tribunal que era fingimento, que ouço vozes do céu, mas explicaram-me que era demoníaco, que sei que posso ser santa como os santos o são, ou ainda melhor, pois não alcanço diferença entre mim e eles, mas repreenderam-me de que isso é presunção insuportável e orgulho monstruoso, desafio a Deus, aqui vou blasfema, herética, temerária, amordaçada para que não me ouçam as temeridades, as heresias e as blasfémias, condenada a ser açoitada em público e a oito anos de degredo no reino de Angola (...)

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